Rejuvenescimento da Pele com Células-Tronco: Um Novo Caminho para Combater os Danos do Sol

Estudo clínico liderado pelo Dr. Luis Charles-de-Sá, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Verona (Itália), investigou os efeitos do tratamento com células-tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo na regeneração da pele facial envelhecida pelo sol. O foco do trabalho foram as alterações estruturais que ocorrem no tecido cutâneo e ele destaca o potencial das células-tronco para desencadear vias de regeneração e reparo celular, oferecendo uma proposta relevante para ação antienvelhecimento. 

A principal causa intrínseca da degeneração da pele facial é a idade, associada a fatores extrínsecos como a exposição ao sol. Esses dois fatores causam desgastes das fibras elásticas, as quais tornam-se espessas, emaranhadas, tortuosas, degradadas e disfuncionais. Ao lado do colágeno, a elastina é uma proteína estrutural das fibras elásticas e é responsável por conferir elasticidade aos tecidos. A perda global acentuada de colágeno e o espessamento das fibras elásticas causam o acúmulo do componente elástico disfuncional na pele de idosos em comparação com os mais jovens, levando ao aspecto envelhecido da pele. 

Nos últimos anos, muitos cirurgiões plásticos têm explorado o uso de células-tronco para tratar a pele envelhecida e prejudicada pelo sol. O uso de células-tronco mesenquimais (CTMs) derivadas de gordura (tecido adiposo), tem sido descrito em diversos estudos clínicos, com resultados satisfatórios na pele. Contudo, as alterações estruturais que ocorrem no tecido cutâneo, as quais podem justificar a melhoria duradoura observada e relatada após enxertos de gordura, ainda não são bem conhecidas. 

Neste contexto, um estudo clínico publicado em 2020, conduzido pelo Dr. Luis Charles-de-Sá, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, juntamente com pesquisadores da Universidade de Verona (Itália), traz dados que ajudam a entender melhor esses processos: em poucas semanas, o tratamento com CTMs derivadas do tecido adiposo não apenas elimina a elastina danificada pelo sol, mas também a substitui por tecidos e estruturas saudáveis, inclusive nas camadas mais profundas da pele. 

O estudo foi realizado na região nordeste do Brasil, onde a exposição ao sol é intensa, com 20 pacientes entre 45 e 65 anos, todos apresentando fotoenvelhecimento da pele (causado pela exposição excessiva ao sol). Esses pacientes escolheram espontaneamente realizar um procedimento cirúrgico de lifting facial, indicando que não estavam satisfeitos com o estado geral de sua imagem facial e flacidez de pele. O procedimento de tratamento com as CTMs aconteceu da seguinte maneira: pequenas amostras de células de gordura do abdômen foram processadas para isolar as CTMs específicas dos pacientes (autólogas), as quais foram, então, multiplicadas em laboratório e injetadas sob a pele do rosto dos indivíduos, na frente da orelha. Depois de 3 a 4 meses da injeção de CTMs, os pacientes foram submetidos a uma operação de lifting, onde foi realizada a coleta de pele para análise dos componentes elásticos. 

Todas as amostras de biópsia da pele facial envelhecida pelo sol, submetidas à injeção de CTMs autólogas derivadas de tecido adiposo, apresentaram diferentes graus de melhoria na estrutura geral da pele, com reversão parcial ou extensa dos sinais patológicos típicos do acúmulo de elastina disfuncional. Análises do tecido cutâneo indicaram que o componente elástico da matriz extracelular da pele foi o principal alvo da terapia. Nenhum efeito adverso ao tratamento foi observado.

Os resultados mostraram melhorias significativas na estrutura geral da pele, incluindo reversão do dano solar na rede elástica da pele e regeneração de uma nova rede organizada de fibras nas camadas mais profundas. Essas descobertas sugerem que as células-tronco desencadeiam diversas vias de reparação e regeneração da pele. Portanto, a utilização de CTMs derivadas da gordura do próprio paciente surge como uma proposta relevante para ação antienvelhecimento na regeneração da pele danificada pelo sol. 

O presente estudo clínico destaca-se pois, além de confirmar os dados de trabalhos anteriores com relação à melhora do aspecto cutâneo com o tratamento baseado em CTMs, ele traz uma proposta sobre os mecanismos celulares e moleculares envolvidos. Uma das limitações desse tipo de tratamento poderia ser a quantidade potencialmente crítica de células necessárias para esse tipo de terapia. Contudo, esse desafio pode ser superado por meio da multiplicação in vitro das células e sua posterior criopreservação – processos que tornam estas células prontamente disponíveis.

Desta maneira, as células-tronco apresentam potencial de conduzir à regeneração da pele envelhecida pelo sol, proporcionando melhorias reais na força e aparência desse tecido. É importante salientar que, para as pessoas interessadas nesse avanço na medicina regenerativa, a orientação de um cirurgião plástico certificado é fundamental, bem como a utilização de CTMs derivadas de tecido adiposo com qualidade comprovada, para que o caminho da renovação da pele seja explorado de maneira segura e personalizada.

Referências:

Artigo citado no texto: Photoaged Skin Therapy with Adipose-Derived Stem Cells 

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