Terapia CAR-T mostra resultados promissores para o tratamento de câncer de próstata avançado

A terapia CAR-T está revolucionando o tratamento do câncer de próstata avançado. Em um estudo clínico de Fase I publicado na Nature Medicine, pesquisadores demonstraram resultados encorajadores para pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração. Estes avanços prometem uma nova era na imunoterapia para cânceres sólidos, trazendo esperança para aqueles que enfrentam esta doença devastadora.

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum em homens em todo o mundo, com uma estimativa de 1.414.259 novos casos em 2020. A terapia celular CAR-T, amplamente reconhecida por seus sucessos em cânceres hematológicos, está ganhando destaque também no tratamento de tumores sólidos, como o câncer de próstata avançado. Recentemente, um estudo clínico de Fase I liderado por pesquisadores do instituto do câncer City of Hope foi publicado na revista Nature Medicine e demonstrou resultados encorajadores para pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração (mCRPC).

O ensaio clínico incluiu 14 pacientes com câncer de próstata positivo para antígeno de células-tronco prostáticas (PSCA), todos com doença que se espalhou além da próstata e não respondia mais ao tratamento hormonal. O protocolo de tratamento envolveu a extração e modificação das células T dos pacientes, reprogramando-as para reconhecer e atacar o PSCA nas células cancerígenas. Essas células T reprogramadas foram então infundidas de volta nos pacientes.

Tratar o câncer de próstata com imunoterapia tem sido desafiador, principalmente devido ao microambiente tumoral, que é muitas vezes descrito como um “deserto imunológico”, dificultando a penetração e eficácia das células T. É necessário algo realmente poderoso para superar isso. E essas células CAR-T que atacam o PSCA parecem ser uma boa aposta.

O estudo teve como principais objetivos avaliar a segurança da terapia e identificar possíveis toxicidades limitantes de dose. Os pacientes receberam uma infusão única de 100 milhões de células CAR-T sem quimioterapia prévia de linfodepleção. No entanto, quando a quimioterapia foi adicionada, alguns pacientes experimentaram cistite, uma inflamação da bexiga, devido ao ataque das células CAR-T às células da bexiga que também expressam PSCA.

Apesar dos desafios, os resultados foram promissores. Quatro dos 14 pacientes tiveram uma diminuição nos níveis de PSA, um marcador sérico de progressão da doença, com um paciente apresentando uma queda significativa. Além disso, cinco pacientes experimentaram síndrome de liberação de citocinas leve ou moderada, um efeito colateral comum após a terapia CAR-T, mas que foi tratável.

Um paciente em particular, que havia recebido várias terapias anteriores, respondeu bem à terapia CAR-T, com uma redução de 95% nos níveis de PSA e uma diminuição significativa do câncer nos ossos e tecidos moles. Esta resposta positiva durou aproximadamente oito meses.

A persistência das células CAR-T além do período de monitoramento de 28 dias foi limitada, um desafio comum na terapia CAR-T para tumores sólidos. Esse estudo mostrou que as células CAR-T dirigidas ao PSCA são seguras e funcionam contra o mCRPC. Isso abre a oportunidade de continuar a desenvolver este tipo de imunoterapia celular para esses pacientes, que atualmente não têm outras opções de tratamento eficazes.

O City of Hope já está conduzindo um ensaio de Fase Ib que combina a terapia CAR-T direcionada ao PSCA com radiação para aumentar a atividade anti-tumoral. O objetivo é inscrever até 24 pacientes.

Em resumo, embora ainda haja desafios a serem superados, os resultados iniciais são promissores e apontam para um futuro onde a imunoterapia celular pode ser uma opção viável para pacientes com câncer de próstata avançado. Além disso, esses resultados também são importantes para corroborar a aplicação do tratamento com células CAR-T para outros cânceres sólidos. A pesquisa contínua e o desenvolvimento de estratégias combinatórias são cruciais para melhorar a eficácia e a durabilidade dessa terapia inovadora.

Referências:

Estudo citado: CAR T cell therapy for advanced prostate cancer demonstrates positive results in Phase I clinical trial 

Artigo comentando sobre o estudo citado: PSCA-CAR T cell therapy in metastatic castration-resistant prostate cancer: a phase 1 trial | Nature Medicine 

Estudo com dados sobre a prevalência do câncer de próstata no mundo: O Câncer de Próstata Metastático Resistente à Castração no Brasil: um Estudo do Mundo Real Usando o Banco de Dados do INCA 

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