Transplante de células-tronco de medula óssea retarda o desenvolvimento do Alzheimer em camundongos

Um estudo recente, realizado na China, revelou que o transplante de células-tronco de medula óssea de camundongos jovens para camundongos idosos pode retardar o desenvolvimento da Doença de Alzheimer,  trazendo novas esperanças para tratamentos futuros

A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que reduz a função cerebral e, até o momento, não possui cura, apenas terapias que podem retardar sua progressão. Uma equipe de neurologistas da Third Military Medical University, na China, publicou um estudo inovador na revista Science Advances. Neste estudo, os cientistas transplantaram células-tronco hematopoiéticas de camundongos jovens (com dois meses de idade) para camundongos idosos (com nove meses de idade) que foram geneticamente modificados para desenvolver sintomas semelhantes aos da DA.

A pesquisa partiu da hipótese de que o sistema imunológico, que se torna menos eficiente com a idade (um processo conhecido como imunossenescência), desempenha um papel crucial no desenvolvimento da DA. Estudos anteriores indicaram que células imunológicas rejuvenescidas poderiam potencialmente retardar a progressão da doença.

Os camundongos que receberam as células-tronco de camundongos jovens mostraram uma redução significativa nos níveis de proteína beta-amiloide tanto no cérebro quanto no plasma, comparado aos camundongos que receberam células de camundongos idosos. A beta-amiloide é uma proteína que se acumula em placas no cérebro de pacientes com DA, e sua redução é um sinal positivo de menor progressão da doença.

Além disso, as análises genéticas mostraram que a expressão de genes associados ao envelhecimento e à DA foram diminuídos, sugerindo que os fatores que levam à doença foram desacelerados. O nível de proteínas associadas ao fenótipo secretor da senescência circulante diminuiu, houve diminuição na degeneração neuronal e da neuroinflamação e melhoria dos déficits comportamentais nos animais. 

A pesquisa indica que o rejuvenescimento do sistema imunológico por meio do transplante de células-tronco levou a uma maior depuração das placas beta-amiloides por monócitos periféricos, podendo ser uma estratégia terapêutica promissora. Embora os resultados sejam preliminares e baseados em modelos animais, eles abrem caminho para futuras investigações em humanos.

Esta descoberta é particularmente interessante porque sugere que não apenas podemos tratar os sintomas da DA, mas também influenciar a sua progressão, potencialmente retardando ou até mesmo prevenindo o aparecimento da doença em estágios iniciais.

O estudo realizado pela Third Military Medical University oferece novas perspectivas para o tratamento da Doença Alzheimer. Transplantar células-tronco de medula óssea de indivíduos jovens pode rejuvenescer o sistema imunológico e reduzir os marcadores patológicos da doença. Continuar essa linha de pesquisa pode eventualmente levar a terapias eficazes em humanos, proporcionando uma melhor qualidade de vida para aqueles afetados por essa devastadora doença.

Referências:

Estudo citado: Rejuvenation of peripheral immune cells attenuates Alzheimer’s disease-like pathologies and behavioral deficits in a mouse model | Science Advances 

Artigo comentando sobre o estudo citado: Transplanting bone marrow stem cells from young mice into older mice found to slow development of Alzheimer’s 

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